Setor de infraestrutura lança pacto nacional para dobrar investimentos no Brasil até 2030

Iniciativa reúne 11 entidades e propõe metas, governança e articulação entre Estado e iniciativa privada para superar estagnação histórica.

Foto: reprodução/site da CNI

Onze entidades representativas da infraestrutura e da construção civil lançam, nesta quinta-feira (11), o Pacto Brasil pela Infraestrutura, uma articulação suprapartidária que estabelece metas, governança e ações coordenadas para enfrentar o déficit histórico do setor e recolocar o país em uma rota consistente de crescimento. A iniciativa é liderada pelo Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada – Infraestrutura) e pela Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), entre outras organizações.

O pacto propõe uma estratégia integrada entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil para ampliar investimentos e corrigir distorções que há décadas comprometem a competitividade brasileira. O diagnóstico que embasa a proposta está no estudo “Raio-X do Setor de Infraestrutura Brasileiro”, elaborado por Sinicon e Firjan, que aponta insuficiência crônica de investimentos: em 2024, o país aplicou apenas 2,22% do PIB, abaixo da própria depreciação anual estimada (2,27%). O estoque de infraestrutura, de 35,5% do PIB, está muito distante da média global de aproximadamente 60%.

O Pacto estabelece duas metas principais:
• 2026 a 2030 – dobrar os investimentos até ultrapassar 4% do PIB;
• 2031 a 2045 – elevar gradualmente o estoque de infraestrutura até alcançar 60% do PIB, reduzindo o custo Brasil e aumentando a produtividade nacional.

Para isso, o programa prevê ações setoriais que incluem recuperação da malha rodoviária, retomada das ferrovias no escoamento de cargas, modernização de portos, aceleração da universalização do saneamento, ampliação de sistemas de mobilidade de alta capacidade, fortalecimento da transmissão e geração de energia e expansão da infraestrutura digital.

O diretor executivo do Sinicon, Humberto Rangel, afirma que o país precisa romper o ciclo de baixos investimentos. “O Brasil não pode mais conviver com um ciclo permanente de baixo investimento. O Pacto Brasil pela Infraestrutura nasce para estabelecer metas claras, governança sólida e coordenação entre Estado, iniciativa privada e sociedade, de modo a tornar o vetor da infraestrutura uma decisão efetiva dos governos. Se quisermos elevar a produtividade e reduzir o custo Brasil, precisamos transformar infraestrutura em prioridade nacional, e isso exige planejamento, estabilidade e compromisso de longo prazo”, declara.

Vice-presidente de Infraestrutura da Cbic, Carlos Eduardo Lima Jorge reforça que é necessário ampliar a segurança para investimentos privados. “O capital privado vem garantindo, nos últimos anos, um ciclo virtuoso de investimentos em infraestrutura. Mas é preciso um conjunto de ações para garantir, ampliar e dar segurança para esses investimentos, ao lado de medidas essenciais para recuperar a capacidade de o Estado investir em obras públicas prioritárias para a sociedade”, afirma.