
A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (27) a transferência do traficante Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), da Bolívia para o Mato Grosso do Sul. A chegada ao Brasil está prevista para o início da noite.
Palermo foi preso na terça-feira (26), em território boliviano, após permanecer foragido desde 2020. Na época, ele recebeu o benefício da prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, mas rompeu o equipamento e fugiu.
Segundo a PF, dificuldades logísticas causadas por protestos na Bolívia atrasaram o processo de transferência do traficante para o Brasil.
A prisão ocorre no momento em que a Polícia Federal concluiu uma investigação sobre a fuga de Palermo e enviou relatório ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso envolve suspeitas contra o desembargador Divoncir Maran, investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Em 2020, Maran autorizou a soltura de Palermo do presídio federal de Campo Grande. O habeas corpus foi concedido durante o plantão judicial e, segundo a investigação, a decisão de 208 páginas foi assinada em cerca de 40 minutos.
Mensagens encontradas pela PF em celulares de assessores do gabinete reforçam a suspeita de venda de sentença. “Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover”, dizia uma das mensagens. Em outra conversa, uma assessora afirmou: “foi determinação do desembargador”.
O magistrado recebeu pena de aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em março deste ano.
Gerson Palermo soma quase 126 anos de condenação por crimes ligados ao tráfico internacional de drogas e roubos. Ele também participou do sequestro de um Boeing 727 da antiga Vasp, em 2000, quando criminosos roubaram cerca de R$ 5,5 milhões em malotes bancários.
Além disso, o traficante foi alvo da Operação All In, deflagrada pela PF em 2017 contra um esquema internacional de tráfico de cocaína entre Bolívia e Brasil.


