ÁUDIO: Correspondente relata cheiro de corpos em decomposição após terremotos na Venezuela

La Guaira concentra parte da destruição causada pelos terremotos, enquanto equipes de resgate seguem as buscas por vítimas sob os escombros.

Foto: Yan Boechat

O cheiro de corpos em decomposição tomou conta de La Guaira, uma das cidades mais afetadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24). Localizado a 26 quilômetros de Caracas, o município turístico teve diversos edifícios destruídos pelos abalos sísmicos de magnitudes 7,2 e 7,5.

Centenas, e possivelmente milhares, de corpos permanecem sob os escombros dos prédios que desabaram. A demora na resposta ao desastre dificultou o resgate das vítimas e contribuiu para o agravamento da situação.

Sem estrutura, equipamentos suficientes e coordenação, a retirada dos corpos ocorre de forma lenta. Em muitos casos, familiares e moradores utilizam pás, picaretas e as próprias mãos para remover os escombros. Pelas ruas da cidade, grupos de corpos aguardam recolhimento.

A situação também é crítica nos necrotérios. No sábado (27), cerca de 200 corpos permaneciam no estacionamento da Morgue de La Guaira, expostos ao calor superior a 30°C. Familiares percorriam o local tentando identificar parentes entre os corpos, muitos deles já desfigurados pelos ferimentos.

Até domingo, o governo venezuelano reconhecia oficialmente 1.450 mortes. A Organização das Nações Unidas (ONU) estimava mais de 40 mil desaparecidos. O governo também informou que 774 edifícios foram danificados em todo o país, sendo 189 completamente destruídos. O número de feridos ultrapassava 3.150, enquanto 12.721 pessoas estavam fora de suas casas.

O correspondente Yan Boechat, da BandNews, descreveu o cenário encontrado em La Guaira e afirmou que o odor de corpos em decomposição é perceptível em várias áreas da cidade.

“Corpos estão praticamente apodrecendo […] pelo cheiro nas ruas você sabe que tem muita gente morta presa debaixo dos escombros”, relatou Yan Boechat, da BandNews.