Acusado de divulgar imagens de estupro diz que ato foi “inocente”

“Só entendi o que aconteceu quando vi o vídeo”, essa foi uma das afirmações feitas por um dos acusados de divulgar as imagens, em redes sociais, da garota ferida e desacordada após um estupro coletivo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo Marcelo Miranda da Cruz Corrêa, de 18 anos, na noite de terça-feira (24), sem conhecer o conteúdo ele publicou uma foto, no dia seguinte teve o perfil apagado e já recebia ameaças de morte.

De acordo com a reportagem do site EXTRA, o advogado do rapaz, Igor Carvalho, disse que vai apresentar o acusado ainda nesta sexta-feira à polícia. Marcelo já teve a prisão preventiva pedida pela delegacia que investiga o caso e ele pode responder por divulgar conteúdo pornográfico com menor de idade. A pena pode chegar a seis anos de reclusão.

O rapaz afirmou também que não conhece nenhum dos envolvidos e que recebeu a foto em um grupo de WhatsApp. “A minha ficha ainda não caiu. Aconteceu tudo tão rápido. Fui ameaçado de morte porque as pessoas acharam que eu participei de um estupro. Só botei isso inocentemente. Minha mãe acha isso tudo repugnante, mas está me apoiando. Espero que as coisas se resolvam. Não quero ser preso por uma coisa que eu não fiz. Não sabia que aquilo era um estupro e que ela era menor”, alegou.

Na imagem publicada por Marcelo, é possível ver um homem de frente para jovem, que estava nua e desacordada. De acordo com relatos da vítima, 33 homens armados participaram do crime. A polícia já pediu a prisão preventiva de quatro homens. Um deles é Raphael Assis Duarte Belo, de 41, que aparece nas imagens, Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, com quem a jovem tinha um relacionamento, Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos e Michel Brazil da Silva, de 20, também acusado de compartilhar as imagens.

Ainda na filmagem, dois homens exibem a vítima e falam: “Essa aqui, mais de 30 engravidou [sic]. Entendeu ou não entendeu?”. As investigações continuam em andamento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). A Polícia Civil solicita que qualquer pessoa que tenha informações que possam auxiliar na identificação dos autores entre em contato pelo e-mail [email protected]

Na manhã desta sexta-feira (27), a adolescente de 16 anos fez um desabafo nas redes sociais. “Todas podemos um dia passar e por isso não doi o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes! Obrigada ao apoio”, escreveu a menina. Na quinta (26) a vítima foi ao médico e tomou um coquetel para evitar doenças sexualmente transmissíveis. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que ela vai ter acompanhamento psicológico.

*Metro 1