Preço de alimentos e juros contribuíram para frear inflação em 2023

Na parte agrícola, soja, milho e trigo, que são matéria-prima para vários outros alimentos, tiveram quedas muito fortes do preço – foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas, apresentou deflação no ano de 2023, com queda de 3,18%. O resultado marca uma inflexão do índice, que chegou a fechar 2020 em 23,14%. O ano de 2021 também ficou na casa de dois dígitos, 17,78%. Em 2022, sinalizou desaceleração, terminando em 5,45%.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), tido como a prévia da inflação oficial do país, fechou 2023 em 4,72%, o menor resultado dos últimos três anos. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo especialistas, a inflação de 2023 ficou abaixo da meta do Banco Central, de 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O resultado foi impulsionado por fatores como a queda dos preços das commodities agrícolas e minerais, a alta dos juros pelo Banco Central e a desvalorização do real.

O pesquisador André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), aponta que um elemento que ajudou a moldar a inflação de 2023 foram os preços das commodities agrícolas e minerais.

“Na parte agrícola, soja, milho e trigo, que são matéria-prima para vários outros alimentos, tiveram quedas muito fortes do preço ao produtor”. A soja, por exemplo, caiu 21,92%. No caso do milho, o recuo foi ainda maior, 30,02%.

Braz explica que o comportamento do IGP-M representa uma “devolução” do choque inflacionário causado pela pandemia entre 2020 e 2022.

“Dado as safras, que foram muito boas tanto no Brasil quanto em outros países produtores de grãos, a gente teve essa queda de preços muito grande. Então ajudou a compensar um pouco aquela fase de aumentos agudos”, explica.

A alta dos juros pelo Banco Central também foi um fator importante para a queda da inflação. O Copom elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 2% para 13,75% em 2022, com o objetivo de conter a alta dos preços.

Após quatro cortes seguidos no segundo semestre, a Selic encerrou o ano em 11,75%.

O IPCA, que mede a inflação oficial do país, fechou 2023 em 4,72%. O resultado foi impulsionado pela alta dos preços administrados, como energia elétrica, combustíveis e serviços públicos.

O índice também foi influenciado pela alta dos preços de alguns alimentos, como hortaliças, legumes e frutas.

Para 2024, os especialistas projetam que a inflação deve ficar em torno de 4%.

O economista André Braz, do Ibre/FGV, avalia que os desafios para o controle da inflação em 2024 incluem a guerra entre Rússia e Ucrânia, o fenômeno climático El Niño e a política fiscal do governo.

As informações são da Agência Brasil



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