Consumo de carne vermelha deve continuar em baixa em todo o Brasil

Consumo de carne vermelha deve continuar em baixa em todo o Brasil
Imagem: Marcelo Justo

Durante toda a pandemia, se priorizou o que era ‘essencial’. Para os baianos e baianas, principalmente aqueles que tiveram a renda prejudicada por conta da crise sanitária, isso significou priorizar as despesas básicas, como a alimentação. Porém, as sacolas andam chegando mais vazias aos lares, e o preço da carne tem sido uma das razões.

De acordo com o último indicativo Abrasmercado, divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), tanto os cortes ‘de primeira’, como o coxão mole (conhecido como chã-de-dentro) quanto os ‘de segunda’, como o patinho e o músculo, tiveram aumento neste semestre, com altas de 13,2% e 8,2% respectivamente.

O peso nos preços acabou influenciando na redução do consumo, que foi vista pela última vez nos anos 1980, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Naquele período, um brasileiro consumia 26,5 kg de carne por ano.

Na Bahia, a média de carne anual consumida por cada cidadão é de 21,3 kg, frente aos 25,7 kg do cenário pré-pandemia. Embora a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) não tenha um recorte regional específico, o presidente da entidade Ricardo Santin reconhece a tendência de substituições da carne vermelha pela população; ainda assim, ele acredita que a proteína não foi totalmente deixada de lado.

“O brasileiro, por conta da crise, teve que reduzir um pouco o consumo da carne em função do preço, mas não deixou de comer carne”, ponderou.

Quem vai ao supermercado com frequência já sente a dor no bolso na hora de passar na seção de açougue. Em cinco redes de abastecimento pesquisadas pela reportagem da Tribuna, sendo três varejistas e duas atacadistas, o quilo do coxão-mole variava entre R$ 35 e R$ 40; a carne ‘de segunda’, muito procurada por quem precisa economizar, não ficou muito atrás, girando entre R$ 29 e R$ 33.

A situação também está difícil para os frigoríficos. É o que constatou o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado da Bahia (Sincar-BA) Júlio César Farias, por conta do aumento do preço da arroba do boi, impulsionado pela alta nas sacas da soja e do milho para a criação dos animais.

“Os frigoríficos do mercado interno estão sem condições de competir. Aqui na Bahia, uns três frigoríficos já fecharam do ano passado para cá. Não sabemos o que vai acontecer de agora em diante”, lamentou, citando a ainda alta taxa de desemprego no Estado como fator determinante para a carne ter sumido das mesas.

Para Ricardo Santin, o movimento de redução de consumo da carne bovina e sua substituição por outras proteínas, como o frango, o ovo e a carne suína, deve perdurar por mais tempo, mesmo com a volta do Auxílio Emergencial para as famílias.

“O aumento dos insumos será repassado para o consumidor, e o preço das proteínas seguirá elevado em 2021”, afirmou o presidente da ABPA.

O pior é que até mesmo as alternativas para o consumo de carne bovina andam em alta. Quem mora em Salvador com certeza tem a lembrança do ‘carro do ovo’, anunciando 30 ovos por R$ 10 ao som de alguma música bem conhecida.

Hoje, a placa custa R$ 14, mesmo valor encontrado nos supermercados procurados pela reportagem. O ovo foi a segunda proteína a ficar mais cara neste ano, acumulando 11% de alta. Já o frango congelado, item mais procurado pelas famílias para garantir a proteína nas refeições, subiu 4,5% nos últimos meses, na cesta elaborada pela ABRAS.

A ave inteira pode ser encontrada a R$ 8 o quilo nos supermercados baianos; para quem prefere utilizar apenas o peito, a bandeja sai entre R$ 15 e R$ 20 o quilo.

“Achei (o preço) um absurdo. Não muito tempo atrás, eu ia no mercado e pegava o pacote de peito a R$ 10. Esse pelo menos tá mais em conta que a carne vermelha e rende mais”, avaliou a cozinheira Néia Macêdo, após comprar quatro bandejas de filezinho de peito a R$ 17 cada num atacarejo na Baixa de Quintas.

Fonte: TRBN