Os eleitos devem a vitória aos que perderam a eleição – por Waldir Santos

Os resultados das eleições para vereadores do último dia 06/10, como sempre ocorre em toda eleição proporcional, demonstram que a verdadeira renovação da política, ou seja, a modificação do perfil dos representantes eleitos, tão criticados pelos eleitores, não está exclusivamente nas mãos do cidadão que vota. Os dados que constam da tabela que acompanha este texto deixam claro que a decisão capaz de definir quem serão os eleitos é tomada pelos candidatos iniciantes, ou seja, aqueles que nunca disputaram eleições ou nunca ocuparam cargos políticos.

Foto: Waldir Santos (@waldirsantosoficial) / Advogado da União, ex-Procurador do Estado e ex-presidente do Tribunal de Ética da OAB-BA

Tomando como referência o resultado obtido nos municípios de Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Dom Macedo Costa, Muniz Ferreira, Nazaré, São Filipe, Santo Antonio de Jesus e Sapeaçu, todos localizados no Recôncavo Baiano, podemos verificar que, dos 92 vereadores eleitos, apenas um não dependeu dos votos de outros candidatos para alcançar a vitória. Da mesma forma, e em análise superficial, já que o aprofundamento no tema dependeria de pesquisas em cada um dos municípios, a esmagadora maioria dos eleitos já ocupava ou ocupou uma vaga na Câmara Municipal, ou cargos públicos como de prefeito, vice-prefeito ou secretário municipal.

Este cenário nos permite constatar que na verdade são os candidatos iniciantes na política, os quais naturalmente levam consigo a proposta de mudança, que são os responsáveis pela não renovação nas câmaras municipais. É com os votos dados aos novos, pelos eleitores que anseiam pela renovação, que os mesmos vereadores de sempre se mantêm nas casas legislativas. E isso se reproduz a cada quatro anos nas assembleias legislativas, na Câmara Federal, assim como na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em uma ilustração simples, ao integrarem chapas compostas também por candidatos mais fortes, os iniciantes canalizam os seus votos para os eleitos de sempre, frustrando o desejo do eleitor.

São exatamente os candidatos novos que em verdade recebem a maioria dos votos para o legislativo, e daí vem a explicação para a permanente insatisfação do eleitor em relação aos seus representantes: é que a maioria não votou nos candidatos que ganharam.

Uma solução para isso, e quem sabe para a melhoria da qualidade da representação política no Brasil, está na orientação aos candidatos, na oferta do conhecimento a eles, de maneira que parem de ser usados para impedir a renovação, e passem a participar somente de chapas de candidatos em que todos tenham as mesmas chances, e não, como ocorre hoje, em que os novos são usados apenas para eleger ou reeleger aqueles que já conhecem as regras eleitorais.

Nos dias de hoje, em que o acesso ao conhecimento é mais fácil, todos devem buscar informações e orientações antes de tomar qualquer decisão em área sobre a qual pouco conhece.

Em uma conclusão amparada na lógica, podemos dizer que se os candidatos não eleitos estivessem integrando chapas em que não houvesse vereador ou ex-vereador concorrendo, a renovação nas câmaras seria bem maior, como espera a população. Infelizmente os próprios partidos, que têm como prioridade reeleger seus parlamentares, levam os novatos para o precipício, e estes, em lugar de corrigir a postura, acabam desistindo da política, quando poderiam buscar, com a estratégia correta, sua eleição.