Opinião: Presidente do Vitória parece estar alheio e simplifica discussão sobre torcida mista em Ba-Vi

Fábio Mota afirma que formato em jogo único é “fato novo” e diz que vai encaminhar ofício ao Ministério Público e órgãos de segurança solicitando divisão das arquibancadas no Ba-Vi

O presidente do Esporte Clube Vitória, Fábio Mota, anunciou que pretende solicitar ao Ministério Público e ao Governo da Bahia a liberação de torcida mista na final do Campeonato Baiano contra o Esporte Clube Bahia. A decisão reacendeu o debate sobre segurança nos clássicos Ba-Vi, marcados por histórico de violência.

A final será disputada em partida única, na Arena Fonte Nova, conforme regulamento previamente definido antes do início da competição. Como o Bahia teve melhor campanha ao longo do campeonato, garantiu o mando de campo. Em razão da determinação de torcida única, o estádio terá presença exclusiva de torcedores tricolores.

Em entrevista à TVE, o dirigente argumentou que a mudança no regulamento cria uma situação diferente em relação aos anos anteriores.

“Esse ano o campeonato mudou. Nós vamos ter apenas um Ba-Vi na final. Por ser Ba-Vi, não é justo ter uma única torcida assistindo ao Ba-Vi. Ano passado tivemos duas torcidas assistindo ao Ba-Vi. Amanhã vamos solicitar, mandar o ofício ao Ministério Público, ao Governo do Estado, Secretaria de Segurança Pública, comando da PM solicitando que, esse Ba-Vi, por ser único, que é um fato novo, que seja com torcida mista. Nós vimos um show que a polícia deu no carnaval. A gente tem certeza que vão prover para o Ba-Vi”, disse Fábio Mota em entrevista para a TVE.

A adoção da torcida única nos clássicos baianos remonta a 9 de abril de 2017, quando uma briga generalizada antes de um Ba-Vi na Arena Fonte Nova terminou com 45 pessoas apreendidas. Após a partida, um homem morreu e outro foi baleado em confusão registrada no Dique do Tororó, nas imediações do estádio.

Diante dos episódios, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), determinou que os clássicos fossem disputados com torcida única. A medida vigorou inicialmente por seis jogos, quase um ano. Em 2 de fevereiro de 2018, o MP avaliou como positivos os resultados em termos de segurança e autorizou o retorno das duas torcidas.

No entanto, em 18 de fevereiro de 2018, no primeiro Ba-Vi daquele ano, o confronto ficou marcado por briga generalizada entre jogadores no estádio Manoel Barradas, o Barradão, além de registro de confronto entre torcedores horas antes da partida. Diante dos novos episódios, o MP-BA voltou a recomendar torcida única, modelo que permanece em vigor até hoje.

Desde 2017, 31 clássicos foram disputados com presença exclusiva de torcedores do clube mandante.

A eventual mudança para a final de 2026 dependerá de avaliação do Ministério Público e dos órgãos de segurança pública.