A duas semanas do inÃcio do São João, as ações do Ministério Público de proibir a fabricação e comercialização das espadas em Cruz das Almas pôs em alerta os espadeiros de plantão. Mas engana-se quem pensa que eles resolveram acatar a determinação da Justiça só porque já não há pelas ruas da cidade jovens e crianças encerando a corda que serve para enrolar o bambu usado na fabricação das espadas, cenas antes tão comum nesta época do ano.
De acordo com dados da Associação dos Espadeiros de Cruz das Almas, estima-se que hoje com a produção e comercialização das espadas no municÃpio circule R$ 2 milhões e R$ 15 mil é o lucro gerado para o produtor só no perÃodo junino. Segundo a Associação dos Espadeiros já foram produzidas seis mil dúzias do artefato para o São João. A produção é comercializada em cidades como Maragojipe, Cachoeira, Senhor do Bonfim, além de Salvador e Sergipe. O tenente da PolÃcia Militar Souza Junior informou que já foram apreendidas 22 dúzias de espadas e 80 bambus. “Quem for pego fabricando ou comercializando terá o material apreendido”, avisou.
O motivo para tanta preocupação dos produtores é o resultado da recomendação do promotor de Justiça Christian de Menezes para que as PolÃcias Militar e Civil apreendam todas as espadas produzidas de forma clandestina e o material para a confecção dos artefatos que forem fabricados em todo municÃpio. “A recomendação é para apreensão das espadas na zona urbana e na rural e foca o combate do fabrico e a comercialização. A queima não se enquadra porque existe a possibilidade de sua regulamentação através de um decreto municipal. Não havendo essa regulamentação é uma atividade proibida e deverá ser proibida e coibida pela polÃcia”, garantiu o promotor.
Tida como o diferencial do São João de Cruz das Almas, as espadas costumam atrair milhares de visitantes que chegam a cidade para ver a tradicional queima que ocorre nos dias 23, das 18h à s 21h, e 24, das 6h ás 22h, em áreas permitidas. De acordo com o vice-prefeito e coordenador do São João, Valtércio Cerqueira, a cidade cresceu e atrai muita gente que não conhece e não sabe manipular a espada. “Cometem excessos, inclusive desrespeitando os espaços para a queima. Futuramente vamos adquirir um galpão, numa área apropriada para a fabricação das espadas no municÃpio”, garantiu.
Cristina Santos Pita
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