Encontro com Gabrielli: Carência de infraestrutura logística limita o desenvolvimento da Bahia

A carência de infraestrutura logística é um elemento limitador do desenvolvimento baiano, nordestino e brasileiro. Quem afirma é o secretário do Planejamento da Bahia e ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, durante o programa Encontro com Gabrielli, que vai ao ar nas rádios baianas nessa quinta-feira (30). De acordo com Gabrielli, um dos reflexos da carência de infraestrutura é o aumento de preços e redução da competitividade. ?Por isso, precisamos investir mais em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, infraestrutura energética, rede de dados e comunicação para aumentar nossa capacidade de competir com outras regiões?, afirma o titular da pasta do Planejamento, que ressalta ainda que o Brasil deu um passo importante ao anunciar nesse mês um Programa de Investimento em Logística. ?Serão cerca de R$ 133 bilhões aplicados em rodovias e ferrovias através de concessões públicas, ou seja, por meio da iniciativa privada. Só para se ter uma ideia, em 2010, o custo com a logística no país alcançou 10,6% do Produto Interno Bruto, valor superior ao dos Estados Unidos, que atingiu 7,7%?, declara Gabrielli. Ele pontua ainda que ?cálculos do setor indicam que, se o Brasil tivesse uma estrutura logística semelhante à dos Estados Unidos, teríamos uma economia de aproximadamente R$ 90 bilhões por ano?. Diferença Logística Segundo Gabrielli, da mesma forma que existem diferenças logísticas entre o Brasil e outros países, ocorrem diferenças regionais no mercado interno. ?Aqui no Nordeste, por exemplo, a soja do cerrado piauiense, a fruticultura do São Francisco e a celulose no sul da Bahia têm altíssima produtividade, se comparada com o restante do país. No setor industrial ocorre o mesmo com os nossos trabalhadores e as plantas industriais. Mas, então, onde é que o Nordeste é menos competitivo? Digo que perdemos na logística?, pontua. O titular da pasta do Planejamento informa que tanto na Bahia como no restante do Nordeste se gasta mais com o transporte de cargas do que os estados do Sul e Sudeste. ?Na Bahia, a logística é ainda mais importante porque temos um estado muito grande, quase do tamanho da França. Precisamos de mais vias para escoar a nossa produção do que estados menores e a limitação de hidrovias, rodovias e ferrovias diminui a intenção de investidores virem para o estado?, afirma. No pacote anunciado pelo Governo Federal, dos 21 novos investimentos previstos, quatro estão localizados no Nordeste, ?o que significa que devemos buscar mais investimentos?, destaca Gabrielli. O secretário do Planejamento da Bahia diz que ?só aqui na Bahia é preciso promover articulações internas. As ligações Oeste-Leste, como a Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e o trecho ferroviário em direção ao lago de Sobradinho e Juazeiro, além das intervenções nas BRs 116, 101 e 122, em direção Norte-Sul, precisam ser reforçadas?.

Modalidades No comentário dessa semana, Gabrielli diz que se deve investir cada vez mais nas diversas modalidades de transporte porque cada uma tem vantagens competitivas. De um modo geral, o transporte rodoviário atende bem distâncias de até 400 km; a ferrovia, entre 400 e 1500 km; e o transporte hidroviário entre 1500 e 3000 km.

?Só para ter uma ideia do desafio, o Brasil transporta mais de 65% das cargas pelas rodovias e só 19% por ferrovias. Nos Estados Unidos o transporte rodoviário representa 28%, enquanto as ferrovias movimentam 38% das cargas?, afirma Gabrielli, destacando ainda que após décadas de pouca atenção com o transporte ferroviário, atualmente está em construção a Ferrovia Oeste-Leste, que vai facilitar o escoamento de grãos, minérios e biocombustíveis produzidos no Oeste, Sudoeste e Sul da Bahia. A capacidade inicial estimada é de 40 milhões de toneladas por ano e deve reduzir o custo do transporte de mercadorias em cerca de 30%. Isso porque a capacidade de um trem com 100 vagões chega a superar a carga de mais de 350 caminhões.