Tribunal vai julgar se trabalhador tem direito de ganhar mais por falar com chefe pelo celular

Márcio Paiva é assessor de imprensa e, teoricamente, teria que trabalhar apenas em horário comercial. Teoricamente. Na prática, ele conta que o chefe não tem a menor cerimônia para importuná-lo à noite, aos sábados e até domingos. ?Ele liga para falar de situações que nem sempre precisam de solução naquele momento.Por exemplo, vai acontecer um evento daqui a três, quatro semanas e ele quer fechar a lista de convidados após o expediente porque lembrou de um nome para incluir, ou para falar de uma reunião que acontecerá em uma semana, mas quer alinhar hoje?, descreve Paiva, que não recebe horas extras pelo trabalho fora de hora.?A CLT é de 1943, quando o conceito de fiscalização no trabalho era outro. Não existia celular nem internet. Agora a vida tecnológica mudou e é justo que as leis também se atualizem?, explica o advogado trabalhista e vice-presidente da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB), Antônio Menezes, se referindo à Consolidação das Leis Trabalhistas.

DiscussãoÉ justamente essa questão que os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) estão discutindo durante esta semana. Desde segunda-feira, eles iniciaram um mutirão para tratar, entre outros assuntos, do pagamento de horas extras para funcionários que tratam de questões de trabalho com suas chefias, por e-mail e celular, fora do horário de trabalho.O assunto veio à tona depois que um chefe de almoxarifado que ficava à disposição da empresa no celular conseguiu ganhar na Justiça o pagamento de um terço da hora extra por esse período.Na sexta-feira, eles devem chegar a um acordo e, se julgarem necessário, solicitarão ao Congresso Nacional uma mudança na CLT. A mudança na lei deve demorar um pouco, mas,   enquanto isso não acontece, os tribunais que julgarem casos semelhantes já terão jurisprudência para dar ganho de causa ao trabalhador.Bom para pessoas como a advogada Renata Diniz. Ela conta que no antigo emprego sempre conversava com o chefe sobre processos e outras situações de trabalho fora do horário de expediente. ?Como a demanda do escritório era muito grande, ele só tinha tempo para despachar comigo à noite?, conta ela, que não raramente atendia ligações do chefe às 22h.Bom também para Márcio, do início do texto. Mas o assunto é tão polêmico que nem ele mesmo acredita que vai dar certo. ?Isso não vai colar. Você vai cobrar do seu chefe se ele te ligar na sua folga? Eu acho que só se for para virar ex-chefe?, questiona o jornalista.Márcio e Renata atuam em duas das profissões mais propícias a esse tipo de situação. Confira na ilustração abaixo quais são as outras e, se você ainda vai prestar vestibular, aproveite a chance e pense bem! (Leia mais no Correio)