Passado um mês da primeira internação involuntária no Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), no Centro de São Paulo, o ex-vendedor Reinaldo Rocha Mira, 61 anos, paciente internado após ser dopado pela filha, diz que usar drogas é “burrice” e que pretende dar palestras como voluntário para tentar recuperar outros dependentes químicos.
?O uso de qualquer substância química é uma burrice que a gente não consegue sair. A gente fica cego?, afirma Reinaldo, sobre o consumo de drogas. Ele está internado no Hospital Lacan, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A unidade de saúde possui uma parceria com o governo do estado e recebe pacientes que fazem tratamento contra a dependência química. Mira foi o primeiro paciente internado involuntariamente após o início do programa lançado pelo governo estadual, que colocou juízes e promotores de plantão para atender medidas de urgência e acelerar casos com necessidade de internação.
Em entrevista ao G1, que acompanhou parte da rotina de pai e filha desde a internação, o paciente diz que já se sente recuperado e irá pedir a segunda via da sua documentação assim que receber alta hospitalar para procurar um emprego. ?Vou trabalhar, nem que seja para vender sucata, mas não vou ficar na dependência de ninguém.?
No último sábado (23), ele recebeu uma permissão para passar quatro dias na casa da filha e depois retornar ao hospital. O procedimento faz parte do processo de ressocialização. Segundo a unidade de saúde, o dependente não recebe alta e, assim que retorna, fica internado por mais 15 dias. Depois, faz uma nova avaliação do quadro psiquiátrico. No período, ele reencontrou familiares, entre eles um filho que não via há seis anos, conheceu uma neta e frequentou a igreja.
Ele diz agora que pretende ajudar na recuperação de outros dependentes. ?Vou dar palestras em igrejas e ajudar como voluntário contando minha história e tentando convencer outras pessoas a deixarem essa vida.?. Reinaldo, que parece ter recuperado a lucidez, conta que leu dois livros religiosos nos últimos dias. Após assistir às imagens da internação compulsória na televisão, ele concordou com a ação. ?Tem que levar à força mesmo, eles não têm discernimento para decidir?, afirma. (G1)



