No dia 14 de maio, Felipão pegou todos de surpresa e irritou outros tantos brasileiros. Na lista de 23 convocados para a Copa das Confederações, nada de Ronaldinho Gaúcho, em fase espetacular no Atlético-MG, nem de Kaká, cotado para aparecer na base do currículo. Em vez das grandes estrelas, o pequenino Bernard, ousado menino de 20 anos que ajuda R10 a ser protagonista no Galo.
Mineiro, Bernard chegou na dele, foi até taxado de caladão pelo grupo, mas não se acanhou com a bola. O comportamento amoleceu o coração do exigente Scolari, que acabou deixando Lucas, sempre pedido como titular pela galera, em segundo plano no banco de reservas. ?Estou doidinho para colocar o Bernard. Nossa Senhora! Que alegria nas pernas tem aquele guri!?, brincou o treinador antes da vitória por 4×2 sobre a Itália, quando ele deu ao baixinho de 1,64m sua primeira chance.Na partida, o camisa 20, que entrou na Fonte Nova já com 3×1 para o Brasil, ainda contribuiu de forma efetiva no quarto gol, quando Fred pegou rebote de Buffon. Foi o suficiente para encantar um pouco mais Felipão, que voltou a colocá-lo contra o Uruguai quando a semifinal estava 1×1. Dessa vez, tratava-se de um teste definitivo e o fato de não tremer lhe garantiu a aprovação.
?Coloquei Bernard numa fogueira porque precisava. A gente tem amadurecer também um menino desse, para saber se ele é aquilo que nós imaginamos. Posso dizer: É. É muito bom, entra não sente, é fantástico?, resumiu Felipão. Respeito E ontem, na despedida da Seleção de Belo Horizonte, terra natal de Bernard, o garoto deu entrevista. Na ponta da língua, mostrou a humildade que o levou ao patamar de destaque na observação de Felipão. ?É muito cedo ainda. Estou pegando uma experiência importante, respeitando a todos, mas buscando meu espaço. Estou lutando, me dedicando para conquistar esse espaço. Tenho muito a mostrar. Estou há pouco tempo aqui e sei que posso dar muito mais ainda?, afirmou. Seguindo um conselho do pai, Bernard chegou no grupo usando mais as ?duas orelhas do que a boca?, ele já encontrou o seu lugar.
?Às vezes, a gente chega sem saber como a pessoa se relaciona, brinca, conversa. Isso é só com convívio. Mas esse grupo é muito fácil na relação. Todos são amigos, brincam, mas sabem o momento de falar sério. Todos me acolheram. Foi fácil?, concluiu o mineirinho, já se espalhando. (Correio)



