A mãe de um dos cinco corintianos que continuam presos há mais de cem dias na Bolívia, acusados de participação na morte de um torcedor boliviano, afirmou, em entrevista ao G1, que gostaria de pedir ajuda à presidente Dilma Rousseff para soltar os brasileiros. ?Dilma é mãe também. Peço, por meio da imprensa, que ela ajude as mães que estão aqui no Brasil sem seus filhos. Ela deve imaginar o que estamos passando, sentindo. Os meninos são inocentes e estão presos injustamente?, disse Elizete dos Santos, de 48 anos, mãe de José Carlos da Silva Júnior, de 20. ?Gostaria de me encontrar com ela para pedir essa ajuda.?Para Elizete, seu filho é o Júnior. Para Gaviões da Fiel, onde trabalhava na loja da torcida organizada, ele é ?Alemão? ou ?Zé Love?. Além dele, permanecem presos em Oruro: Leandro Silva de Oliveira (Manaus), Reginaldo Coelho (Cabeça), Marco Aurélio Nefeire (Cabra) e Cleuter Barreto Barros (Soldado). Os apelidos desses cinco estão num cartaz colado no mural de avisos da Gaviões ao lado dos outros sete apelidos de corintianos que foram soltos da penitenciária San Jose, na última quinta-feira (30). Lá, eles são tratados como os “12 sequestrados” e os “12 inocentes”. Tadeu Macedo Andrade, Rafael Machado Castilho Araújo, Tiago Aurélio dos Santos Ferreira, Cléber de Souza, Danilo Silva de Oliveira, Hugo Nonato e Fábio Neves Domingos chegaram na tarde de domingo (9) ao Brasil. Desembarcaram no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
De acordo com a defesa dos 12 corintianos (nove integram a torcida Gaviões da Fiel e os outros três, a Pavilhão 9), a Justiça boliviana analisou o pedido de liberdade de parte do grupo e depois irá avaliar a solicitação para que os demais sejam soltos também. Para o advogado Davi Gebara, os magistrados da Bolívia consideraram que os torcedores soltos são inocentes da morte de Kevin Espada.
O grupo de torcedores foi preso no dia 20 de fevereiro sob suspeita de autoria e cumplicidade no disparo de um sinalizador que matou o torcedor boliviano, de 14 anos, no jogo entre Corinthians e San Jose, pela Libertadores, na Bolívia. Todos os detidos negaram envolvimento no crime. O advogado Ricardo Cabral afirmou que o depoimento prestado no Consulado da Bolívia em São Paulo, por um adolescente de 17 anos, integrante da Gaviões, que confessou ter sido o autor do disparo do artefato que matou Kevin, ajudou na libertação dos corintianos. O menor brasileiro deverá ser responsabilizado pelo assassinato do boliviano. (G1)



