Manifestações não afetam imagem do Brasil, afirma fundador de agência de viagens

As manifestações populares ocorridas em diversas cidades do país durante a Copa das Confederações foram destaque na mídia do mundo inteiro. Em entrevista ao CORREIO, o fundador da CVC e hoje presidente do conselho administrativo da empresa –  a maior operadora de viagens da América Latina -, Guilherme Paulus, fala sobre o impacto desses acontecimentos no turismo de estrangeiros para a Copa do Mundo de 2014, evento que acontecerá em 12 cidades brasileiras, entre elas Salvador, de 12 de junho a 13 de julho. Paulus destaca ainda o legado que a Copa pode deixar para a Bahia e os planos da sua empresa para Salvador. O empresário também é dono da GJP Hotéis & Resort, com cinco marcas, que já investiu R$ 100 milhões na compra e reforma do antigo Hotel da Bahia, hoje renomeado Sheraton da Bahia Hotel. Desenvolvimento Turístico, o primeiro seminário da quarta edição do Agenda Bahia, irá abordar o tema Muito Além da Copa. Tem como proposta debater a consolidação e ampliação do destino Bahia ao redor do mundo, além de apontar exemplos positivos e caminhos para o estado fortalecer o setor turístico antes, durante e após o Mundial.   O senhor acha que os protestos da população realizados durante a Copa das Confederações podem impactar no turismo de estrangeiros na Copa do Mundo do ano que vem? De que forma?O que tenho a lamentar desse movimento, que foi extraordinário, foi a violência. Ela atrapalha e dá uma imagem negativa. Acho que você pode fazer protesto, mas não destruir patrimônio. Isso é horroroso, mas sempre aparecem os oportunistas e eles vão sempre existir. O Brasil deu um grande exemplo para o mundo mostrando que o povo aqui não aceita falcatruas, não aceita desvio de verba, não aceita políticos desonestos. Acho que isso foi um grande alerta para os políticos porque eles estavam sempre muito acomodados, pois o povo votava e nada era cobrado. Agora realmente você tem um pessoal jovem muito corajoso cobrando essas atitudes do governo. Isso é muito positivo. Não prejudica imagem nenhuma (do Brasil). Tenho conversado com nossos operadores internacionais e eles me dizem: ?Não, isso é uma demonstração de que o povo está atento a tudo que está acontecendo no país ultimamente?. Colocaram pra mim que isso não afeta as pessoas que vão vir passear, curtir e conhecer o Brasil.Como aproveitar um grande evento como a Copa para consolidar e ampliar o destino Bahia ao redor do mundo?A Copa do Mundo já dá um destaque. Você imagina quantas emissoras de televisão no mundo todo vão estar ligadas nas partidas que vão ocorrer na Bahia e nas seleções que vão ficar hospedadas no estado. É um trabalho que vai ser feito de divulgação no mundo e isso já começa a marcar. Antes da abertura de cada partida de futebol, é feita uma apresentação sobre aquele estado e aquela cidade onde está aquele estádio, como aconteceu com a África (do Sul). Outra coisa importante é a conscientização do povo baiano. Esse é um trabalho que tem que ser feito pelo governo e pela prefeitura: do uso da bandeira brasileira, da bandeira da Bahia, cantar o hino baiano, cantar o hino brasileiro. Mobilizar as pessoas para esse evento e, claro, atender bem os nossos visitantes de uma forma bem agradável, como aconteceu na África, no México, nos Estados Unidos, na Espanha. Esse é o momento de consolidar o destino e avançarmos. Futebol é uma coisa maluca no mundo todo e tem espaço muito grande para a gente aproveitar esse momento para mostrar a cara do Brasil.Pela experiência e vivência do senhor, quais são os bons exemplos que a Bahia pode importar de países que foram sedes de Copas do Mundo?Em infraestrutura. O Brasil está acordando, esse movimento feito pelos jovens brasileiros deu uma repercussão muito grande e mostrou que o Brasil não é um país que aceita qualquer coisa, que os jovens estão muito atentos a tudo que acontece no país. E todo país é feito de jovens mesmo. Serve de alerta para a infraestrutura, principalmente no chegar na cidade. Hoje, Salvador enfrenta problema terrível que é o trânsito e com a própria limpeza da cidade. Embora tenha conversado com o prefeito ACM Neto e até elogiei o seu trabalho. Quando ele assumiu, comecei a ver os garis limpando as ruas. Isso é muito importante. Uma cidade limpa dá esse exemplo. Na África do Sul, melhorou o transporte, o comércio ficou mais agitado, enfim, há um progresso de geração de emprego e renda. Isso é muito importante e a Bahia vai ter que aproveitar e tirar proveito disso, principalmente a cidade de Salvador.O que é fundamental fazer para que o turista que vem para a Bahia buscando futebol volte por outros interesses após o Mundial?Turismo é arte de bem receber. O baiano tem isso por natureza. Recebe bem as pessoas, é festivo, um povo alegre. O povo brasileiro é um povo alegre, mas o baiano é a descontração. É como dizem, não nasce, estreia. A simpatia e a receptividade dele são fora do comum e acho que isso não pode ser perdido. A recepção, as festas nos aeroportos, as músicas, isso é alegria que contagia as pessoas. Um alerta para o nosso governador e para o nosso prefeito: se a cidade é boa para o baiano, vai ser boa para quem a visita. Temos que cuidar com muito carinho de Salvador para que o baiano ame a cidade e possa transmitir isso aos turistas que vão chegar. Isso vai ser o grande legado a ser deixado para os turistas, que vão falar a outras pessoas para virem. O turismo é boca a boca. Quando Cabral veio para o Brasil, acho que contou para todo mundo, porque muitos portugueses vieram pra cá e descobriram as belezas que o Brasil tinha. Começou tudo na Bahia. É culpa de Cabral ter chegado na Bahia. Foi daí que ele começou a divulgar para o mundo todo. Quando a gente recebe alguém bem, as pessoas voltam.A GJP Hotéis & Resorts investiu na compra do antigo Hotel da Bahia e modificou o nome para Sheraton da Bahia Hotel. Por que a mudança do nome e quais são os planos da sua empresa para o estado?Para conseguir chegar facilmente ao mercado internacional, eu tinha que agregar uma marca internacional. Fizemos uma pesquisa e vimos que há várias empresas aéreas americanas voando para o mercado brasileiro. Fizemos associacão com Sheraton na Bahia, mas a administracão é do Brasil, da GJP. Nós só utilizamos a marca Sheraton da Bahia, pagamos um royalty pela marca. Quando se trata de um estrangeiro vindo para o Brasil, a marca Sheraton é um ícone e abre grande espaço, haja visto que o próprio presidente da Fifa (Joseph Blatter) ficou hospedado no Hotel da Bahia na Copa das Confederações. Sem contar todos os principais meios de comunicação, como a Rede Globo, divulgando o destino. É um trabalho que a gente vem fazendo para consolidar a Bahia junto com o ícone Hotel da Bahia.Qual o grande legado turístico que a Bahia pode conquistar com a Copa do Mundo do próximo ano?É a grande oportunidade que o Brasil tem para vencer definitivamente as outras praias concorrentes como as do Caribe e Caribe mexicano. A oportunidade que nós temos é imensa com a Copa do Mundo na Bahia recebendo milhares e milhares de turistas. Essa é a expectativa que a gente tem. Esse legado que vai ser feito pela Copa do Mundo e depois, com a continuação das Olimpíadas, que é tão forte ou mais que a Copa do Mundo, pois agrega todos os esportes, não só futebol. Se a Bahia se destacar turisticamente como um povo receptivo, vai ganhar as pessoas que vão para o Rio de Janeiro e depois vão querer conhecer a Bahia. (Correio)