Barraqueiros se negam a ceder kits de graça

Um dia após o início da entrega de kits de praia pela prefeitura, a adesão à novidade foi quase nula entre permissionários do Porto da Barra. Muitos dos que receberam o material disseram que não vão disponibilizá-lo aos usuários.A ação é uma forma de protesto contra a proibição da cobrança de aluguel pelo uso do equipamento. Eles dizem que só vão colocá-los na praia quando o prazo dado pela prefeitura expirar, em data que ainda não sabem informar.Dos kits entregues a dez permissionários do Porto, apenas dois estavam na praia. Um teve até o aluguel cobrado a banhistas, o que é ilegal. “Nos cobraram R$ 15 por duas cadeiras e um sombreiro. Além disso, marcaram os produtos como se fossem deles”, disse um usuário, que não se identificou por medo de represália. Questionado sobre a cobrança, o dono do kit disse não ter “nada a declarar”.Usando o outro equipamento, estava Elma Rodrigues, 63, que disse não ter pago pelo uso do material, mas suspeitou dos preços praticados. “Uma cerveja (latão) está R$ 6, água (copão) e refrigerante (lata), R$ 5. Ficou mais caro”, afirmou.”Ceder a cadeira de graça vai dar prejuízo para a gente. O pessoal consome pouco. O aluguel é parte do nosso lucro”, disse a permissionária Tina de Jesus, 54.A não escolha da marca da cerveja a ser comercializada e o valor mensal, de R$ 90,71 pago pela licença, também são motivos de queixa – antes o valor anual era R$ 190.A secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf, afirma que medidas irão coibir a cobrança de aluguel do kit, pois se trata de prática abusiva, que fere o código de defesa do consumidor.”A princípio, serão medidas de alerta, como fiscalização e orientação. Se a prática persistir, poderão ser tomadas atitudes radicais, como a apreensão das cadeiras e suspensão da licença”, garante. (A Tarde)