Recordista mundial em cesarianas, o Brasil precisa acabar com a violência durante o parto para que gestantes percam o medo de parir naturalmente. Para isso, é preciso acelerar a formação dos profissionais da rede de saúde e atender bem a gestante, oferecendo conforto no momento em que ela estiver dando à luz. A avaliação é de especialistas na área de obstetrícia, que se reúnem hoje (13) e amanhã (14), no Rio de Janeiro, em conferência internacional para 1,3 mil pessoas.
A pesquisa Nascer do Brasil, que acompanhou mulheres e bebês, revelou que, no início da gravidez, seis em cada dez mulheres preferem parir naturalmente. A avaliação muda durante a gestação e, principalmente, na hora do parto, por causa da violência, explica a enfermeira obstétrica Heloisa Lessa, com doutorado na área. ?O melhor ambiente para o parto é aquele parecido com o local onde o bebê foi concebido, com luz baixa. A mulher tem de se sentir tranquila?, explicou. ?Se ela estiver relaxada, vai parir melhor?, assegurou.
As especialistas acreditam que as mulheres estão mais conscientes dos benefícios do parto normal e têm cobrado o sistema de saúde. Para a enfermeira, o próximo passo é exigir das redes pública e privada que o parto normal possa ser feito em casa. Ela também defende a ampliação do número de casas de parto. No Rio, apenas uma está funcionando.
Na quinta-feira (15), para diminuir o número de cesáreas desnecessárias, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar publicarão consultas públicas sobre duas resoluções. Uma delas prevê a apresentação de um partograma explicando procedimentos feitos durante o parto.



