Caos no ferry durante o fim de ano expõe falhas da Internacional Travessias

Sete horas na fila e cerca de cinco quilômetros de engarrafamento. Esse foi o preço que precisou pagar o motorista que resolveu sair de Salvador e ir à ilha de Itaparica através do sistema ferryboat durante as festas de fim de ano. “Acredite se quiser, mas a fila do ferry chegou na Igreja do Bonfim! Os carros se alinham na Rua Imperatriz adentro, sobem a Colina Sagrada e já estão chegando no Hospital Couto Maia, um recorde sem precedentes”, contou o leitor Noé Américo ao Grupo Metrópole na noite da última terça-feira (30). 

 E, para o desespero de quem acreditava que não podia piorar, a situação foi a mesma na quarta-feira (31). Enquanto a Internacional Travessias – empresa que administra o sistema – e a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) afirmam que o recorde de es- pera foi causado pelo aumento da de- manda, baianos e turistas enfrentam intermináveis horas na fila. “Estou há duas horas na fila do ferry. Cheguei 6h e peguei a fila na Rua Barão de Cotegipe, nos Mares. Um absurdo essa empresa. Cadê os velhos novos ferries? Ótima empresa, a pior de todos os tempos”, desabafou o leitor Diego Santos.   Agerba: nova baia de ferries melhoraria situação   Com nove embarcações e apenas seis atracadouros – três em Salvador e três em Bom Despacho -, fica claro para qualquer leigo que a conta não bate. “Ajuda e muito, mas ainda não seria o ideal [a construção de novos atracadores]. Nós precisamos de mais uma baia de atracação aqui e em Bom Despacho. Hoje em dia, temos um atracadouro que serve ao Ana Nery, ao Ivete Sangalo, ao Dorival e ao Zumbi, que são os quatro mais velozes do sistema. Eles têm uma operação bem demorada de embarque, então isso está causando uma ineficiência. Por isso precisamos de uma nova baia para atender o sistema”, explicou o diretor executivo da Agerba, Eduardo Pessoa.   Ainda segundo ele, outros fatores contribuiriam para melhorar o sistema. “Necessita também de novas embarcações e até explorar um filão que até então não está sendo explorado, que é o de carros pesados”, completa. Pessoa propõe que um dos ferries transporte apenas caminhões.    Ainda sem hora marcada  Mais um ano se passou, e os usuários do sistema ferryboat continuam sem o serviço de embarque com hora marcada. Suspenso em meados de 2013, o benefício, que funcionava como uma alternativa para fugir das filas quilométricas, deveria ser retomado em dezembro do mesmo ano. Uma nova data para a retomada do bilhete com hora marcada foi agendado para 2014 e, mais uma vez, a Internacional Travessias e a Agerba não cumpriram o prazo. “A hora marcada nós vamos começar agora em janeiro, porque não ficamos satisfeitos com o sistema. Nós só autorizaremos quando tivermos certeza que não terá problema. Não tenho a menor condição de fazer mais experimentos com o ferry. A população já sofreu demais. Não posso negar a melhora, mas também não posso dizer que estou satisfeito”, afirmou o diretor da Agerba. (Metro1)