Fiscais de prova da OAB pedem para muçulmana tirar véu durante prova

Uma estudante de direito muçulmana que realizava o XVI Exame Unificado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no último dia 15 de março teve a prova interrompida duas vezes por conta da sua vestimenta. Em denúncia feita ao Estadão, Charlyane de Souza, 29 anos, afirma que pediram para que ela deixasse de usar o hijab, véu que cobria sua cabeça, e que foi revistada durante a prova. O edital do Exame da OAB indica que é proibido o 'uso de quaisquer acessórios de chapelaria, tais como chapéu, boné, gorro, etc.' e por isso uma fiscal a interrompeu após uma hora de prova, pedindo para tirar o véu. “Eu disse que não. Só posso tirar na família ou na presença de outras mulheres. Em público, não posso tirar. Eu tinha lido bem o edital, estava ciente que poderia fazer a prova, não tinha nada que proibisse”, disse Charlyane. Duas horas depois, ela foi interrompida pelo coordenador da Comissão do Exame da Ordem dos Advogados de São Paulo. Ele pediu para a estudante mudar para uma sala onde ficaria acompanhada apenas por uma fiscal. “Eu já fui chorando. Eu disse que não entendia qual era o problema. Eu fui revistada (na entrada do exame), fui chamada uma vez, fui chamada outra vez”, relata Charlyane ao Estadão. Ela não foi aprovada no exame e enviou reclamação por e-mail a Comisssão do Exame da Ordem e para a Comissão de Diversidade Religiosa. “O meu interesse não é de cunho individual, mas coletivo. Nas próximas provas, vai tratar com igualdade as colegas da minha religião e de outras”, afirma.  (BN)