Movimento negro de Salvador e de mais quatro capitais pede que MPF fiscalize os "Gladiadores do Altar"

O movimento negro e representantes de religiões afro-brasileiras de Salvador e mais quatro capitais vão formalizar, na próxima segunda-feira (23) o pedido para que o Ministério Público Federal (MPF) investigue o objetivo de criação dos Gladiadores do Altar, grupo da Igreja Universal do Reino de Deus. Formado por mais de quatro mil jovens, os Gladiadores aparecem vestidos como militares e entoando frases de efeito em vídeos publicados na internet. Na ocasião, será entregue ao MPF uma petição que cita a Lei de Segurança Nacional (LSN), que proíbe a formação de grupos paramilitares e propaganda de discriminação racial, de luta pela violência entre as classes sociais e de perseguição religiosa.O coordenador de políticas institucionais do Coletivo de Entidades Negras, Luiz Paulo Bastos afirma que o pedido tem a função de inibir atitudes de incitam a violência. “Todas as aparências indicam para um grupo com formação análoga ao paramilitarismo. A história da Universal já é de violação a esses direitos, principalmente com as religiões de matrizes africanas. Em 2000, Mãe Gilda faleceu por um ato de intolerância religiosa, veicularam uma foto dela dizendo que ela roubava dinheiro dos clientes, que era uma charlatan”, lembra.    A Casa de Oxumarê, um dos mais tradicionais terreiros de candomblé de Salvador divulgou uma carta aberta contra os Gladiadores do Altar, assinado pelo líder Oxumarê, o babalorixá Sivanilton Encarnação da Mata, Babá Pecê, onde a comunidade religiosa denuncia que a Universal promove “um massacre cultural e religioso contra as Religiões Tradicionais de Matriz Africana, perpetrando uma contínua, incansável, declarada e brutal perseguição através dos meios de comunicação social”. “Solicitamos ao Governo Brasileiro que tome as providências necessárias para investigar rigorosamente como, por que e com qual finalidade os Gladiadores do Altar foram criados. E, caso seja constatada a incitação ao ódio e à violência física, psicológica e moral, pedimos que seja minucioso e criterioso na aplicação da Lei”, diz a carta. De acordo com a Universal, os Gladiadores apesar de autointitulados “soldados de Deus” não desenvolvem prática militar, e os vídeos foram feitos durante apresentações de projeto em igrejas pelo país e nelas eles aparecem marchando e entoando frases de efeito. “Foram eventos únicos, com coreografia ensaiada, para marcar festivamente a ocasião”, diz a nota enviada ao site IG sem explicar o motivo de criação do grupo.