Mesmo garantindo que engrossará a manifestação popular contra o Governo Dilma e a corrupção, programada para amanhã em Salvador, demais capitais e diversas cidades do país, o poeta, antropólogo, escritor e urbanista Antonio Risério questionou declarações da entidade ?Vem Pra Rua?, uma das promotoras do ato.
Ele acusa a entidade de ?fascista e racista?, por afirmações como ?chega de negros do Haiti entrando pelo Acre? e ?basta de médicos cubanos no Brasil?.
?A logística das recomendações para o ato é correta, mas as ponderações políticas são completamente equivocadas?, disse. ?Vou à manifestação, mas não aceito essas posturas?, afirmou Risério, ao defender a presença no país de imigrantes ?em luta contra a fome? e a atuação dos médicos cubanos no atendimento aos brasileiros ?com tantas carências na área da saúde?.
A mobilização social que disse entender como ?fundamental? é a que ?se volte para conquistas sociais e não para o retrocesso político?. Como se municiado por uma metralhadora giratória, ele mencionou o poeta Ferreira Gullar, que defende posições à direita, a quem respondeu: ?Não vou dar passagem aos fascistas?.
O antropólogo revelou ter participado da campanha eleitoral para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em quem votou, mas criticou o abandono das propostas de campanha. ?A agenda ambiental foi jogada no lixo e na economia ela meteu os pés pelas mãos?. Para ele, ?a campanha dela era na defesa das propostas de esquerda, mas acabou se revelando calhorda?.
Para Risério, que se posiciona ?à esquerda do PT?, o Partido dos Trabalhadores ?se converteu em uma espécie de esquerda sazonal?.
Segundo ele, ?a presidente Dilma tornou-se numa impostora-mor. Fez tudo o que atribuía, como uma ameaça durante a campanha, à possibilidade da eleição de Aécio Neves ou Marina Silva, principalmente o corte de benefícios dos trabalhadores?. Ele avalia que ?a presidente faz enorme esforço para contornar as coisas, não para encarar e solucionar de fato os problemas, inclusive, no caso da corrupção na Petrobras?.
Risério mencionou, também, a situação de abandono a que foi relegado o Estaleiro Enseada, em Maragojipe ? no qual, dos 7.200 trabalhadores restaram apenas 500: ?Destruíram a esperança do Paraguaçu; sem emprego, a juventude da cidade está sob a ameaça do crack?, acentuou.
Ele sugere o quanto o grande conjunto da economia brasileira não está sendo discutido. ?Veja o caso do pré-sal, em que estamos gastando antes mesmo de ter os royaltes assegurados?.
O escritor citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem ?não temos governo de coalizão, mas de cooptação?. Segundo Rizério, ?com tanta gente protestando contra o governo, parece até que na Bahia, hoje, não se encontram mais eleitores de Dilma?.
Para o antropólogo, ?mesmo tendo assegurado uma das maiores vitórias nas urnas a ela, agora a sensação que se tem é que no dia da eleição a Bahia saiu para almoçar?, ironizou. Ele entende que ?o povo perdeu a confiança. Dilma e Lula mentem muito?. Considera ainda um contrassenso a presidente ficar atribuindo ao governo dela iniciativas do Judiciário e da Polícia Federal. E diz mais: ?Dilma teve nas mãos a vitória contra a inflação, mantida por Palocci e Lula, mas jogou fora, seguindo a política de Mantega e dela própria que se supõe, também, economista.
Sobre a reforma política, disse não acreditar que ?justamente o que está sendo questionado possa ser resolvido pelo mesmo sistema político, através de figuras como Eduardo Cunha ou Renan Calheiros?, presidentes da Câmara e do Senado, ambos do PMDB.
Para Risério, ?as forças econômicas é que darão sustentação às reformas propostas pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy e, a um só tempo, defendeu e vaticinou: ?Temos que ir para a rua reivindicar, brigar?.
Fonte:Tribuna



