Empresa acusada de trabalho análogo à escravidão recusa acordo com MPT

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A negociação entre a empresa Fênix Serviços de Apoio Administrativo e o Ministério Público do Trabalho (MPT) terminou sem que a empresa aceitasse a proposta de acordo do órgão de fiscalização e, por isso, se recusa a pagar indenização às vítimas. De acordo com o Metrópoles, as tratativas foram encerradas nessa quinta-feira (2) e, agora, segue o inquérito civil de responsabilização da empresa.

Segundo Celimar de Meneses, a Fênix é acusada pelo MPT de manter 207 trabalhadores em situação análoga a escravidão, eles foram resgatados em diligências que aconteceram a partir de 22 de fevereiro. As vítimas estavam em alojamento no município de Bento Gonçalves (RS), na Serra Gaúcha.

O Ministério Público do Trabalho criou um grupo de trabalho para atuar no caso, com procuradores do Rio Grande do Sul e da Bahia, de onde a maior parte dos trabalhadores vieram. Segundo o órgão, a proposta de acordo não foi aceita porque a empresa não quis reconhecer a ocorrência de trabalho em condições análogas à escravidão.

Apesar disso, o órgão conseguiu garantir o pagamento de verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados. As vítimas já foram levadas aos estados de origem.

A situação de exploração acontecia na cadeia de produção de vinhos da Serra Gaúcha, se beneficiaram do trabalho escravo as produtoras de vinho Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi, gigantes do setor.

“A situação verificada acende um alerta sobre a necessidade de atuação focada em toda a cadeia produtiva da uva, que todo ano atrai para a serra gaúcha diversos trabalhadores em busca de emprego e melhoria de condição de vida. No entanto, nem sempre é isso que ocorre, como visto durante a operação deflagrada”, disse a procuradora Franciele D’Ambros.