Bolsonaro pode ficar sem salário de R$ 41 mil do PL se tiver direitos políticos cassados

Foto: Evaristo Sa/AFP

A utilização proibida da TV Brasil e da estrutura do Palácio da Alvorada durante uma reunião com embaixadores em julho do ano passado pode resultar em violação de improbidade administrativa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em caso de consideração, uma das possíveis consequências é a suspensão de seus direitos políticos, o que o impediria de exercer funções no Partido Liberal (PL). A maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou o encontro como tendo motivação eleitoral e um desvio de atenção no uso da estrutura pública, incluindo funcionários e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que transmitiu a apresentação ao vivo.

Durante o julgamento, a defesa do ex-presidente argumentou que a reunião não teve votação eleitoral, mas sim foi um ato de chefe de Estado.

A pena de inelegibilidade aplicada pelo TSE não impede o desempenho de funções partidárias, mas sim a ocupação de cargas eletivas. Bolsonaro ocupa atualmente o cargo de presidente de honra do PL, com um salário de R$ 41 mil. Por outro lado, a suspensão dos direitos políticos é uma punição mais abrangente.

“Direitos políticos são privilégios concedidos a uma pessoa que permite sua participação ou influência em atividades relacionadas ao Estado democrático, seja por meio do voto, ocupação de cargas públicas ou uso de outras ferramentas constitucionais e legais”, explica o advogado Gustavo Justino de Oliveira, professor de direito administrativo na USP e no IDP.