
O processo do feminicídio de Elitânia de Souza da Hora está com o status de inativo no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), mesmo após terem se passado um ano e meio do crime. Elitânia teve a vida interrompida aos 25 anos, pelo ex-namorado, José Alexandre Passo Góes Silva, em Cachoeira. Ela foi assassinada a tiros enquanto voltava da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde era aluna.
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O G1 consultou o portal público do TJ-BA e não conseguiu encontrar o processo, que foi movido pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). A família da vítima denuncia que o processo desapareceu porque o réu, José Alexandre, é filho de um ex-desembargador.
“Ele é filho de um ex-desembargador, por isso o processo não existe. A gente só sabe que o pai dele não exerce mais o cargo. Estamos lutando, a gente segue lutando por justiça, mas como não temos condições de colocar um advogado para acompanhar, a gente não sabe muita coisa sobre o caso”, contou o irmão da vítima, Rodrigo de Souza da Hora.
O G1 entrou em contato com o TJ-BA para saber o porquê de o processo estar inativo, bem como para apurar se o réu está preso e qual o posicionamento da instituição sobre as alegações da família, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria. A reportagem também não conseguiu o contato da defesa de José Alexandre.
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José Alexandre Passo Góes Silva foi preso por matar a ex-namorada, Elitânia de Souza da Hora, na cidade de Cachoeira, na Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia
“A gente nem sabe se ele ainda está preso, só vemos o povo falando que ele está solto, que está em uma fazenda. Minha mãe está muito abalada ainda, com a morte dela [Elitânia]. O que mais ela quer saber é se ele está preso”, disse Rodrigo.
O G1 também entrou em contato com o MP-BA, responsável por denunciar José Alexandre à Justiça, para saber se o órgão segue acompanhando o caso, e quais medidas foram ou serão tomadas com a inatividade do processo, mas também não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Feminicídio
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Elitânia foi morta no dia 27 de novembro de 2019. A vítima estava acompanhada de uma amiga, quando foi baleada. Elitânia chegou a ser socorrida e foi levada para um hospital, mas não resistiu.
Durante as investigações, a polícia apontou que o feminicídio de Elitânia foi motivado porque José Alexandre não aceitava o fim do relacionamento dos dois, e assim resolveu acabar com a vida da jovem.
Meses antes de assassinar Elitânia, José Alexandre agrediu a vítima, que denunciou ele à polícia, entrou na Justiça e conseguiu uma medida protetiva contra ele. A medida, que determinava que ele não se aproximasse dela, não preservou a vida da jovem.
No dia seguinte ao assassinato da vítima, a Justiça decretou a prisão preventiva de José Alexandre, a pedido do delegado João Mateus, responsável por investigar o caso. O corpo de Elitânia foi enterrado no dia 29 de novembro do mesmo ano, em Cachoeira.
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Nesse mesmo dia, José Alexandre se apresentou à polícia e foi preso. Durante a prisão, ele se manteve calado e não se pronunciou sobre as acusações. No mesmo dia, ele foi encaminhado para o Conjunto Penal de Feira de Santana.
Querida pela família, amigos e professores da universidade, Elitânia foi homenageada em vários protestos na cidade, todos eles pedindo justiça pelo feminicídio. A jovem também era uma das lideranças da Comunidade Quilombola do Tabuleiro da Vitória, em Cachoeira.
Outro protesto foi feito no dia 13 de fevereiro de 2020, quando aconteceu a primeira audiência de instrução do caso. Desde então, não houve mais movimentações do processo, que não aparece nos registros públicos do portal do Tribunal de Justiça.
Livro em memória
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Depois do feminicídio de Elitânia, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres repercutiram o crime e pediram o fim da violência contra as mulheres.
Nesta segunda-feira (17), o UNFPA lançou o livro “Reportagens: a igualdade de gênero como degrau para o Desenvolvimento Sustentável”, em memória de Elitânia.
A publicação reúne textos sobre a história de vida da jovem, o perfil das vítimas de feminicídio no Brasil e as respostas do Estado para a violência contra as mulheres.
“A gente agradece demais pelo livro, é uma forma de lembrar a minha irmã, enquanto a gente busca justiça”, falou o irmão de Elitânia.



