A presidente Dilma Rousseff adotou um discurso contra o ódio ao aparecer em público pela primeira vez, menos de 24 horas depois da Comissão do Impeachment dar continuidade ao relatório favorável a sua cassação. Também foi a primeira vez que ela falou após o vazamento do áudio do vice-presiente Michel Temer cantando vitória sobre o processo.
De acordo com informações do portal UOL, as declarações da presidente aconteceram durante o evento oficial do Encontro da Educação pela Democracia, dentro do Planalto do Palácio, na manhã desta terça-feira (12) em Brasília.
“Esse não será o país do ódio. Definitivamente, esse não sera o país do ódio. Por isso eu quero dizer para vocês que estamos aqui para que esse não se torne o país do ódio e não se construa o ódio como uma forma de fazer política no nosso país. O ódio, a ameaça, a perseguição de pessoas… esse não é o país do ódio. Isso não cabe no nosso país”, afirmou Dilma, logo no começo do discurso.
A presidente voltou a dizer que o impeachment é ilegítimo por não haver, segundo ela, crime de responsabilidade. “Estamos aqui para denunciar um golpe”, afirmou. “Os próximos dias vão mostrar com clareza quem honra a democracia que conquistamos com grandes lutas e quem não se importa em destruir o regime democrático por meio da ilegítima destituição de uma presidenta com 54 milhões de votos pelo povo brasileiro.”
Além disso, Dilma atacou duramente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o vice-presidente Michel Temer ao citar que há “dois chefes da conspiração que agem em conjunto de forma premeditada”.
“Vivemos estranhos tempos de golpe, farsa e traição. Existem, sim, dois chefes que agem em conjunto de forma premeditada. Como muitos brasileiros, tomei conhecimento e confesso que fiquei chocada com a desfaçatez da farsa do vazamento. Vazando pra eles mesmos. Estranho vazamento”, afirmou a presidente se referindo ao vazamento do áudio em que Temer faz um discurso pós impeachment.
“Cai a máscara dos conspiradores e a quem interessa usurpar do povo brasileiro o sagrado direito de escolher quem o governa. Esse chefe conspirador não tem compromisso como povo. diz que está pensando em manter as conquistas socias. Como se conquistas sociais se pensa ou não em manter”, declarou Dilma.
No domingo (17), a Câmara irá decidir se a presidente será afastada do cargo ou não. Para isso, serão necessários 342 votos a favor da saída (de um total de 513).
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